Page 4 - Boletim 2021 - Escola Letra Freudiana
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A escrita do fantasma





                  A escrita do fantasma a é, na sua simplicidade de matema, de
            onde podemos partir  para articular não só uma lógica do fantasma, com
            seus paradoxos, mas também uma topologia com sua função de borda.
            Essa topologia foi utilizada por Lacan desde seus grafos até sua topologia
            das superfícies ou mesmo dos nós. É nessa apresentação de matema
            que podemos dizer que o fantasma é um axioma e dessa forma não pode
            ser interpretado.
                  A leitura e a extração dos elementos dessa escrita e sua relação
            aos conceitos fundamentais da psicanálise bem como sua referência a
            experiência analítica nos leva a um trabalho incessante de cada analista
            ao longo de cada análise.
                  O sujeito é barrado do que o constitui como função do Inconsciente
            na estrutura signifi cante. É uma articulação freudiana.
                  Quanto ao objeto a, é em referência a ele que se pode falar de lógica
            ou de topologia. Justamente porque não é uma referência a fantasia como
            imagem ou ao imaginário que se trata, mas que concerne ao real na sua
            incomensurabilidade.
                  Lacan marca seu caráter subversivo para a análise da subjetividade
            e da história na contemporaneidade.
                  É na função da escrita que podemos encontrar uma solução as
            contradições aparentes que se manifestam no discurso por sua complexa
            relação com o objeto a.
                  O fantasma também é uma frase com uma estrutura gramatical nos
            diz Lacan e a lógica do fantasma “se prende, se insere, se suspende, à
            economia do fantasma” e articula o gozo.
                  Há algo de fechado nessa função do fantasma e se apresenta
            “como uma signifi cação fechada” seguindo a articulação freudiana quanto
            a experiência dos sujeitos neuróticos.
                  “Esta estrutura – a única que nos é oferecida, a escolha forçada,
            no nível do ‘ou eu não sou, ou eu não penso – se ela está ali é na medida
            em que  ela pode ser chamada para desvelar a outra, rejeitá-la, e que no
            nível da outra, aquela do ‘eu não sou’ é a Bedeutung inconsciente que vem
            correlativamente morder o [Eu], que é enquanto não sendo.”
                  O analisante fala, faz poesia. O analista ao cortar, escandir, participa
            da escrita que se tece no equívoco.






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